Estratégia

Como ganhar licitações: as estratégias de preço de quem já venceu mais de 100

Gabriel Borgongino··8 min

Existe um mito de que licitação se ganha "dando o menor preço". Tecnicamente verdade — e completamente inútil como estratégia. A pergunta certa é: como dar o menor preço da disputa e ainda sair com lucro? Depois de mais de 100 contratos vencidos e executados, estas são as respostas que funcionam.

1. A vitória começa na escolha da disputa

Seletividade é a estratégia mais subestimada. Antes de investir tempo num edital, eu avalio:

  • Histórico de preços do órgão. O RadarB2G e as bases públicas mostram quanto o órgão pagou nas compras anteriores do mesmo item. Se o último vencedor fechou abaixo do seu custo, próxima.
  • Especificação. Edital confuso ou restritivo demais é fonte de risco (e às vezes de direcionamento). Clareza no objeto = disputa saudável.
  • Prazo e logística. Entrega em 5 dias úteis do outro lado do país pode comer toda a margem em frete expresso.
  • Concorrência típica. Dispensas e disputas exclusivas de ME/EPP têm menos players — e iniciante ganha jogo onde tem menos gente jogando.

2. O custo total é maior do que parece

A planilha que uso tem estas linhas — e quem esquece qualquer uma delas financia o próprio prejuízo:

  1. Custo do produto no fornecedor (cotado por escrito, com validade)
  2. Frete até o local de entrega (e seguro, quando relevante)
  3. Impostos do seu regime tributário sobre o faturamento
  4. Taxa da plataforma, se houver
  5. Custo financeiro do giro: você paga o fornecedor antes de receber do órgão
  6. Margem mínima aceitável — o seu salário pelo risco e trabalho

A soma define o piso de lance. Abaixo dele, a vitória é derrota com cerimônia de assinatura.

3. Na sessão: disciplina vence emoção

O leilão reverso do pregão é desenhado para te fazer descer mais do que devia. As regras que me protegem:

  • Piso definido antes, na planilha. Durante a sessão, eu executo; não recalculo.
  • Lances graduais. Não despeje sua melhor oferta de cara; desça em degraus e leia o ritmo dos concorrentes.
  • Use o empate ficto. Como ME/EPP, ficar até 5% acima do líder dá direito legal a um lance final — vitória técnica de quem conhece a regra.
  • Saiba desistir. Perder disputa ruim é lucro. Anote o preço vencedor e calibre a próxima.

4. Margem também se constrói fora do lance

Os melhores fornecedores não ganham só no preço de venda — ganham no custo:

  • Negocie com 2–3 fornecedores por item e peça desconto por volume contratado (você terá previsibilidade de compra que o varejo não tem)
  • Prazo de pagamento casado: fornecedor recebendo em 30 dias alinha o fluxo com o pagamento do órgão
  • Logística inteligente: consolidar entregas e cotar transportadoras regionais muda a conta

5. O composto que ninguém vê: execução

Cada contrato bem entregue gera atestado de capacidade técnica, histórico no órgão e convite implícito para a recompra. Minha operação fatura com recorrência porque órgão público que encontra fornecedor sério não quer trocar. A margem do segundo contrato com o mesmo órgão é sempre melhor: você já conhece o processo, o fiscal e a logística.

Quem aposta, ganha às vezes. Quem calcula, ganha em escala. Mais de 100 contratos depois, posso afirmar: não houve sorte envolvida — houve planilha.

No Método VPGOV, o módulo 7 mostra pregões reais, gravados na tela, com a planilha de precificação aberta: você vê o piso sendo definido e a vitória acontecendo lance a lance.

Sobre o autor

Gabriel Borgonginoé CEO da Borgon Comércio & Serviços e criador do Método VPGOV. São mais de 4 anos vendendo para o setor público, com 100+ contratos executados e mais de R$2 milhões faturados para órgãos de todo o Brasil — operando do Rio de Janeiro para o país inteiro.

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