Fundamentos

Como vender para o governo em 2026: o guia completo para começar do zero

Gabriel Borgongino··9 min

O governo brasileiro é o maior comprador do país. São cerca de R$ 900 bilhões por ano em compras públicas — de material de escritório a serviços de buffet, de medicamentos a manutenção predial. E aqui está o dado que quase ninguém conhece: menos de 5% das empresas brasileiras participam desse mercado.

Eu sei disso na prática. Em 2020, abri minha empresa sem nenhuma experiência em licitações. Na primeira participação, vendi 9.000 unidades de shampoo para a Marinha do Brasil. Hoje, são mais de 100 contratos executados para órgãos como Receita Federal, Ministério da Educação e universidades federais — operando do Rio de Janeiro para o Brasil inteiro.

Este guia resume o caminho completo. Sem promessa de dinheiro fácil: é um modelo de negócio real, com método.

Por que o governo é o melhor cliente do Brasil

Compare com o varejo tradicional. Para abrir uma loja, você precisa de aluguel, estoque, funcionários e marketing — facilmente R$ 20 mil por mês antes de vender qualquer coisa. Para vender ao governo, você precisa de:

Não há estoque antecipado: você só compra do seu fornecedor depois de ganhar o contrato. Não há inadimplência surpresa: o pagamento é garantido pela nota de empenho, documento que comprova que o orçamento já foi reservado para você.

Como o governo compra: licitação, pregão e dispensa

A regra geral é a Lei 14.133/2021, a Lei de Licitações e Contratos. Ela define as modalidades de compra. As duas que importam para quem está começando:

Pregão eletrônico

É a modalidade mais comum para bens e serviços comuns. Funciona como um leilão reverso online: ganha quem oferece o menor preço atendendo aos requisitos do edital. Tudo acontece pela internet — você participa de um pregão no Maranhão sem sair de casa. Explico o processo completo em como funciona o pregão eletrônico.

Dispensa de licitação

Para compras de menor valor, o órgão pode contratar diretamente, sem disputa formal. É a porta de entrada ideal para iniciantes: menos concorrência, processo mais rápido e simples. Veja o guia de dispensa de licitação.

O passo a passo para o primeiro contrato

  1. Regularize sua empresa. MEI ou ME, com CNAEs compatíveis com o que pretende vender.
  2. Monte sua base de descoberta. Comece pelo Compras.gov.br/SICAF e use o RadarB2G para acompanhar novas oportunidades do seu nicho nos principais portais sem depender de caça manual diária. A lógica dos portais está em portais de compras públicas.
  3. Organize a documentação. Certidões negativas, contrato social, declarações — o checklist completo está aqui.
  4. Encontre oportunidades no seu nicho. O governo compra praticamente tudo. No começo, use filtros por região, valor e categoria; na operação real, deixe o RadarB2G te avisar quando surgir algo novo.
  5. Analise o edital. O edital é o contrato do jogo: especificações, prazos, critérios. Ler edital é uma habilidade — e é treinável.
  6. Dê seu lance e dispute. Com estratégia de precificação, não no chute.
  7. Execute e receba. Ganhou? O órgão emite a nota de empenho, você entrega, emite nota fiscal e recebe.

Os erros que travam 90% dos iniciantes

  • Tentar vender de tudo. Quem não tem nicho não tem margem. Escolha 2 ou 3 categorias e domine-as.
  • Ignorar a dispensa de licitação. Iniciantes brigam em pregões gigantes e esquecem as contratações diretas, onde a concorrência é mínima.
  • Desistir na primeira derrota. Licitação é jogo de repetição. Minha primeira vitória veio com método, não com sorte — e as 100 seguintes também.
  • Precificar sem calcular custo total. Frete, impostos e prazo de pagamento entram na conta. Margem se calcula antes do lance, não depois.

Quanto dá para faturar?

Depende do nicho e da dedicação. Contratos pequenos de dispensa começam na casa dos R$ 5 mil a R$ 60 mil. Pregões de fornecimento contínuo (limpeza, alimentos, materiais) podem passar de R$ 500 mil por ano, com entregas e pagamentos mensais. O ponto não é o tamanho do primeiro contrato — é a recorrência: órgão público que compra bem de você, recompra.

O governo já está comprando, todos os dias, em todos os estados. A única pergunta é: de quem?

Se você quer encurtar o caminho com o método que usei para sair do zero a mais de R$ 2 milhões em contratos públicos, conheça o Método VPGOV — o passo a passo completo, com pregões reais gravados e mentoria ao vivo.

Sobre o autor

Gabriel Borgonginoé CEO da Borgon Comércio & Serviços e criador do Método VPGOV. São mais de 4 anos vendendo para o setor público, com 100+ contratos executados e mais de R$2 milhões faturados para órgãos de todo o Brasil — operando do Rio de Janeiro para o país inteiro.

Aprenda a transformar edital em contrato, com método

O Método VPGOV te ensina a ler edital, precificar, disputar e executar contratos — do zero ao primeiro pagamento, com suporte pelo WhatsApp.